09/02/12

TERMINUS 290: A MODERNIDADE DOS NOVOS PECADOS


Eu sou alguém que acha que a Igreja Católica é uma instituição parada no tempo. Todavia, sou também alguém capaz de assumir um erro quando tal é necessário. Aqui há tempos li um artigo que dava conta duma tentativa de adaptação da Igreja Católica aos costumes do século XXI. É refrescante ver que, apesar de manter certas tradições, os responsáveis da Igreja Católica não fecham a porta a alguma inovação.
Entre as várias medidas anunciadas está a renovação do catálogo de pecados do Vaticano. E é aqui que as coisas se complicam. Se é verdade que a expressão "catálogo" invoca uma certa imagem comercial  e, como tal, moderna, também é verdade que alguns dos novos pecados são uma contradição em si mesmos. O que, agora que penso nisso, não é isso tão contraditório com muito do que a Igreja Católica tem feito ao longo dos séculos.
Do novo catálogo de pecados fazem parte:
Os atentados contra o ambiente. É de louvar tentarem ajudar o meio ambiente mas, por favor, não acendam velas à Nossa Senhora para reparar a camada de ozono.
O consumo abusivo de drogas. Eu não vejo isto como um não firme ao uso de drogas, vejo mais como um "usem, mas não abusem". Podem pecar, mas só um bocadinho.
As experiências com células estaminais. Retirar uma parte de um outro ser humano para criar outro é errado. Lembrem-se do Adão.
A fecundação medicamente assistida. Esta concordo plenamente. Se estiver a fecundar não quero ter nenhum médico a assistir. Há alturas em que aprecio a assistência dum médico: esta não é uma delas.
Comportamentos que contribuam para aumentar o fosso entre ricos e pobres. Exemplo desse comportamento: ser dono duma cidade, ter um ceptro de ouro cheio de pedras preciosas e roupa de sede debruada a ouro e pedir aos fiéis pobres que não abracem os bens materiais.
Passar demasiado tempo a ler jornais, ver televisão ou a navegar na Internet. Por outras palavras, é pecado estar sem fazer nada quando se pode estar a rezar.
Por tudo isto, penso que é seguro dizer: bem vindos ao século XX!

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