19/03/12

TERMINUS 292: UM GOVERNO DE POUCOS AMIGOS

Ao fim de sete meses de mandato é tempo de comparar o desempenho do Governo de Passos Coelho com os dois Governos de José Sócrates. Os números levantados, para o bem e para o mal, revelam verdades incómodas para o Governo PSD/CDS-PP. De acordo com o Diário da República, durante o período em questão, o executivo PSD/CDS-PP, liderado por Pedro Passos Coelho, nomeou 1110 pessoas para funções no sector público. Menos 568 pessoas do que no primeiro Governo de José Sócrates e menos 667 do que no segundo.
Há uma clara diferença entre o que o Governo afirma e o que os outros dizem. Em primeiro lugar, quem faz uma afirmação aparenta possuir mais fundamento do que quem se limita a dizer. Habitualmente, essa diferença é para menos: o Governo gasta menos dinheiro que, o Governo faz menos pior que; no caso das nomeações sucede o oposto: o Diário da República diz que o Governo nomeou 1110 funcionários, o Governo afirma que que foram 1682. De onde aparecem estes 572 funcionários de diferença não se sabe ao certo. Dá ideia que o Governo foi para a rua e começou a nomear os primeiros que apareceram.
À primeira vista, e estando nós em ambiente de austeridade, contenção, rigor, etc., esta deveria ser uma boa notícia. O Governo está a contratar menos, logo está a poupar mais. Por associação de ideias, quase que se pode propor a seguinte teoria: se o Governo tem menos a quem pagar, então poderá pagar mais a quem trabalha. Um leigo tenderia a ver esta questão considerando apenas os seus aspectos (aparentemente) positivos.
Todavia, este desempenho do Governo de Passos Coelho não se trata de nenhum melhoramento, antes pelo contrário. Passos Coelho nomeou menos 33,8% do que Sócrates. Quer isto dizer que Sócrates tinha mais amigos por onde escolher do que tem Passos Coelho. E recordando o feitio de Sócrates, isto diz muito do actual Primeiro-Ministro. O que se tenta passar para a comunicação social como um esforço de contenção é, na verdade, um sinal inequívoco de que Passos Coelho tem poucos amigos.

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