25/03/12

TERMINUS 294: DO ÁLCOOL

Pode não parecer, principalmente para quem já me viu a empurrar velhinhas para o meio da estrada, mas eu sou uma pessoa que gosta de ajudar o próximo. Tenho um amigo, o Leandro (estou a usar o seu nome verdadeiro porque é o único que ele tem e também porque ninguém o conhece e quem o conhece faz de conta que não o vê) que, vá-se lá saber porquê, mete-se na pinga. É bêbado. Diz que ninguém lhe liga. O que é mentira. Eu sei o que estou a dizer porque houve uma vez em que eu estava perto dele e alguém ligou-lhe por engano. Portanto, não só é bêbado, como é também um pouco mentiroso. Não me faltavam razões mais que evidentes para o ajudar. E assim fiz.
Falei com ele e chamei-o à atenção para o problema que tinha com a bebida. Dei-lhe o chamado 'abanão psicológico' e disse que ele tinha de procurar ajuda o quanto antes. Custou a convencer, mas lá aceitou entrar para os Alcoólicos Anónimos, onde encontrou o apoio que precisava para vencer o vício. Hoje em dia continuam a ignorá-lo, mas felizmente já não se mete no álcool. Infelizmente, agarrou-se às drogas leves.
Nada disto aconteceu, não tenho nenhum amigo chamado Leandro que seja alcoólico, nem tão pouco tenho um amigo chamado Leandro. Esta pequena e divertida história serviu só para facilitar a introdução do seguinte tema: Alcoólicos Anónimos. Podia ter começado logo por aí, mas achei que uma historieta chamaria mais à atenção.
Vamos lá ao tema. Há muita coisa que não percebo nos Alcoólicos Anónimos. A começar pelo princípio. Já repararam que a primeira coisa que uma pessoa faz quando chega a uma reunião dos Alcoólicos Anónimos é dizer o seu nome? Onde é que está o anonimato? De seguida diz que é alcoólico. É impressão minha ou toda a gente que está ali é alcoólica? Só se há pessoas que não têm o vício do álcool, mas sim o vício das reuniões. Pode ser isso. O que eu não percebo: para quê dizer os nomes?
É certo que, quando uma pessoa está alcoolizada, tem tendência para se esquecer das coisas. Nomeadamente, os nomes. Talvez faça parte do processo e quando começam a fixar os nomes é sinal de que estão no bom caminho.
E chega de tema principal. Não vamos abusar porque pode cair mal a algumas pessoas.
Para muitas pessoas o álcool é o fim, para outras pode ser o princípio de algo especial. E estando eu a escrever este artigo a três dias do Dia de São Valentim, achei que podia terminar este artigo com uma história romântica.
O álcool faz-nos divagar. Dá-nos a sensação de que sabemos tudo e mais alguma coisa. Desperta-nos a inteligência, por assim dizer. Esta é a história de um homem que lida com pessoas assim. Um homem com um raciocínio tão complexo que ninguém o compreende. Um homem que, apesar de ter objectivos em contrário, só poderia ser empregado de balcão.
No bar onde trabalha este homem entra uma mulher, desiludida consigo, com a sua vida e com a vida em geral. Senta-se e pede um uísque. Ao quarto copo, a camisa do homem que ela não conhece de lado nenhum passa a ostentar uma placa onde se lê "PSICÓLOGO". Encontrando ali um escape, a mulher começa a desbobinar. De vez em quando, o homem diz qualquer coisa, que pode ou não ter a ver com o que a mulher está a dizer.
A História Universal é rica em grandes pares famosos, disso não restam dúvidas, mas nenhum par possui a classe deste. De um lado, temos um empregado de balcão que ninguém compreende e que se julga muito sábio; do outro, temos uma mulher que não liga nenhuma a isso. É o par perfeito

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