12/04/12

TERMINUS 297: ANDAR DE AUTOCARRO 2 – HORA DE PONTA & VELHAS

A pior altura para andar nos autocarros, e transportes públicos em geral, é na hora de ponta. Eu não tenho muito que me queixar porque normalmente ando sempre fora de horas, mas às vezes, tem de ser. E o pior para mim nessas alturas, além das velhas carregadas de sacos a quererem entrar num espaço onde até os micróbios se sentem apertados, são os empurrões e os encontrões que as pessoas dão umas nas outras. Isto, já de si é chato, mas torna-se mais chato ainda quando temos aquelas pessoas que, quando nós as pisamos e não pedimos desculpa, ficam fulas. Pode acontecer nós pisarmos sem querer e não repararmos. A mim acontece-me isso às vezes. É por isso que às vezes, volta não volta, há alguém que se vira pra mim e grita, “Vê lá onde é que pões os pés, ó palhaço!”
No entanto, quando reparamos e pedimos desculpa, a resposta mais comum é, “Não foi nada. Deixe estar.” Ou então não dizem nada e ficam o resto da viagem a resmungar.
Nos autocarros há também aqueles lugares reservados a pessoas idosas, inválidas, mulheres grávidas, etc. Deixem-me só fazer um pequeno aparte para explicar uma coisa: estes lugares não são exclusivos dessas pessoas. São reservados. O que quer dizer que as outras pessoas que não se insiram em nenhuma destas categorias também se podem sentar lá. Só no caso dos restantes lugares estarem ocupados é que os destinatários têm direito, ou prioridade, melhor dizendo, a eles.
Isto vem a propósito duma cena que assisti ontem quando ia pra casa no autocarro.
O autocarro vinha quase vazio. Os lugares reservados vinham todos ocupados por várias pessoas, de todo o género, de todas as idades, incluindo um casal de jovens aí nos seus 20 anos.
Então, a meio da viagem, entra uma velha que de imediato começa a ordenar à moça que lhe desse o lugar. A moça recusa-se por estarem vários lugares vagos e a velha insiste. Esta troca de argumentos ainda dura alguns minutos, até que o namorado decide intervir e diz à velha que se vá sentar num dos outros lugares que estavam livres.
Mas a velha continuava a teimar que queria sentar-se ali. O rapaz começa a perder a paciência e é então que ela diz, “Você tem que me dar esse lugar porque eu já sou muito velha.”
Ao que o rapaz responde, “Eu não tenho culpa que você ainda esteja viva.”
O autocarro em peso esperava que aquilo descambasse à séria e até já se faziam apostas, quando subitamente a velha diz, “Eu saio já na próxima. Escusa de se incomodar.”
É má vontade, ou não é?

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