19/04/12

TERMINUS 298: ANDAR DE AUTOCARRO 3 – ANDAR SEM BILHETE & PASSE UNIVERSAL

Sempre que ando de transportes públicos costumo utilizar passe, mas houve uma altura na minha vida em que, por ser utilizador esporádico, bastavam-me os bilhetes. Hoje em dia já quase que não há bilhetes, é tudo cartão, mas eu lembro-me do medo que sentia caso o pica aparecesse quando viajava sem bilhete e da frustração quando gastava dinheiro no bilhete e não aparecia ninguém para o picar.
Isto irritava-me profundamente porque eu comprava o bilhete por uma única razão: o pica. Se o pica não aparecia, era um bilhete que ia para o lixo sem cumprir o seu real propósito. Eu não precisava de bilhete para andar autocarro: bastava-me o autocarro. Sem bilhete, podia de autocarro à mesma; sem autocarro, não podia andar de bilhete. Era tão básico como parece.
A certa altura eu desisti de comprar bilhete, o que levou a alguns confrontos bem intensos. Ao fim de três meses de utilização de transportes públicos sem adquirir um único bilhete, apareceu-me, finalmente, um pica. E o bandalho queria multar-me. Dizia ele que eu não possuía um título de transporte válido e, como tal, teria de me passar uma multa.
Irritado, confrontei-o com as vezes que tinha adquirido bilhete e ele não tinha aparecido. Não resultou. E aqui fica uma pequena grande lição: leiam os meus artigos, riam-se com as minhas parvoíces, mas não sigam os meus conselhos. Podem-se dar mal.
Esta história nunca aconteceu, foi apenas uma criação fictícia da minha parte, assim como esta ideia com a qual terminarei este artigo: tive um sonho, no qual eu era a pessoa mais espectacularmete humilde do mundo. Isto não tem nada a ver com a ideia que eu vos quero contar, foi apenas um desabafo. Vamos à ideia.
Como seria se todas as companhias de transporte públicos adoptassem um sistema de passe social universal? Já temos passes combinados com Soflusa, Transtejo, STCP, TCB, Metropolitano de Lisboa, Metropolitano do Porto, TST, Barraqueiro, CP, etc. etc. Essencialmente, transportes terrestres, fluviais e ferroviários.
E os aéreos? Há todo um mercado por explorar. O combinado TAP+Carris+CP seria óptimo para aqueles turistas que vêm da América Central com embrulhos no estômago. Com a quantidade de voos que fazem todos os meses, de certeza que lhes daria jeito. Para aquelas pessoas que viajam muito teriam de fazer vários modelos. Teríamos, por exemplo, o N (nacional), o E (europeu), o IC (inter-continental) e o PTL (pra todo o lado). Isto seriam os gerais.
Depois, tal como já acontece com os combinados já existentes, haveriam também as subdivisões. A pessoa vai à companhia, preenche os impressos, escolhe o modelo e depois a zona abrangente; o simples, o 1, o 12 e o 123, que é o maior.
Claro que haviam de aparecer problemas. É normal.
Então o senhor quer ir para as Caraíbas, não é assim?”
É sim.”
Pois, mas o seu passe é o N. Só dá até ao Cacém.”

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